Pacientes
Artrite Psoriásica

A artrite psoriásica é a manifestação de uma artrite crônica e inflamatória em associação com psoríase cutânea. A palavra psora, do grego, significa prurido/coceira, sintoma frequente em pacientes que possuem doença cutânea. A psoríase caracteriza-se pelo aparecimento de lesões avermelhadas, escamosas, que acometem principalmente joelhos, cotovelos e couro cabeludo. Entretanto, estas lesões podem surgir em qualquer parte do corpo.

As estatísticas de prevalência da doença variam entre países e raças, porém acredita-se que entre 5% e 40% das pessoas que têm psoríase podem ter dor e inflamação das articulações. Assim como na doença da pele, o acometimento articular atinge mais as pessoas da raça branca e os países europeus, como Dinamarca, Suécia e Rússia, são os mais atingidos. Entretanto, na África e entre os índios é uma doença rara. Ocorre aproximadamente em igual porcentagem em homens e mulheres, a maioria já na vida adulta (entre 30 e 50 anos).

Os fatores preditivos mais aceitos, que aumentam o risco de um paciente com psoríase cutânea desenvolver artrite, incluem a presença de lesões em unhas, envolvimento cutâneo mais extenso (área de pele afetada) e também histórico familiar de artrite psoriásica.

O que causa a Artrite Psoriásica?

A causa da doença ainda é desconhecida, mas a transmissão genética de psoríase já foi descrita há mais de 200 anos. Observa-se que esta doença tem frequência aumentada em algumas famílias. Sua base genética é complexa e o padrão de herança não foi ainda completamente esclarecido. Alguns dos genes envolvidos são únicos para psoríase, mas são frequentes na população, distribuídos em todo o mundo e em geral têm efeitos pequenos. Na maior parte dos casos, a doença é multifatorial, envolvendo a interação entre vários genes com desencadeantes ambientais (infecções, medicações, estímulos antigênicos, estresse físico e/ou emocional). Na artrite psoriásica, é 27 vezes maior o risco de ter a doença entre irmãos em relação ao risco na população geral, valor muito mais alto que o da psoríase, que está entre 4 e 11. A prevalência de psoríase é 19 vezes maior entre parentes de primeiro grau de pacientes com artrite psoriásica em relação à população em geral.

Quais as formas clínicas da Artrite Psoriárica?

Existem cinco formas de apresentação da artrite psoriásica: 
  1. Forma oligoarticular (envolvimento de poucas articulações inflamadas) – Atinge menos que cinco articulações, particularmente grandes articulações, como joelhos, tornozelos e unhas, podendo envolver também pequenas articulações das mãos e pés. Esta é a forma de início mais comum. 
  2. Forma poliarticular, ou seja, de muitas articulações inflamadas ao mesmo tempo; assemelha-se a artrite reumatoide. Pode evoluir com deformidades articulares. Envolve mãos, pés, joelhos e tornozelos. 
  3. Acometimento das articulações distais dos dedos das mãos (as que estão próximas às unhas, que frequentemente também estão acometidas). 
  4. Forma mutilante, como o nome está dizendo, provoca grandes destruições nas articulações, principalmente mãos e pés. 
  5. Envolvimento preferencial da coluna - é a forma mais rara, mas provoca dor constante na coluna vertebral, evoluindo para limitações físicas. 
Quais manifestações extra articulares podem ocorrem no paciente com Artrite Psoriárica?

Algumas das manifestações extra articulares que podem ocorrer nos pacientes com Artrite Psoriásica são:
  • Doença cutânea (também afetando as unhas): presente na maioria dos pacientes, embora não em todos, e pode facilmente passar despercebida no exame se estiver em uma ‘área escondida’ (ex. atrás das orelhas, no topo da fenda interglútea) ou for apenas de gravidade leve.
  • Dactilite: Inchaço uniforme do dedo inteiro similar a uma linguiça (dedos das mãos ou pés)
  • Entesite: Inflamação nos locais de ligação do músculo ou tendão ao osso. Os locais comumente envolvidos são o tendão de Aquiles, fáscia plantar, articulações costocondrais e cotovelo.
  • Doença Inflamatória intestinal: Ulcerações na mucosa do íleo e colo do intestino.
  • Manifestações oculares: uveíte ou irite. Os pacientes apresentam olhos avermelhados e doloridos.
A observação dessas características pode ajudar no diagnóstico da Artrite Psoriásica particularmente se os sintomas de artrite forem similares aos de outras doenças reumáticas.

Quais doenças podem estar associadas à artrite psoriásica?

O paciente com artrite psoriásica têm maior risco de apresentar hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2, obesidade e distúrbios dos lipídios (colesterol e triglicerídeos). Todas estas alterações aumentam o risco de doenças cardíacas e vasculares (infarto e derrame).

Como a Artrite Psoriásica é diagnosticada?

O diagnóstico da artrite psoriásica é clínico, uma vez que se trata de uma espondiloartrite, cujas características são fator reumatoide negativo, ausência de nódulos subcutâneos, acometimento de articulações dos membros inferiores, ombros e pequenas articulações das mãos, além de tendinites, entesites e aumento difuso de alguns dedos, que aparecem na maioria das vezes após intervalo variável de tempo do comprometimento cutâneo.

No entanto, nem toda inflamação articular em psoriásicos representa manifestação da artrite psoriásica. É pouco comum, mas não raro, ocorrer psoríase coexistindo no mesmo paciente com outra doença articular, como artrite reumatoide, osteoartrite, artrite gotosa e outras. Como ainda não existe um exame diagnóstico específico para a artrite psoriásica, o médico deverá somar os sinais clínicos-chave de envolvimento assimétrico de articulações, entesite, dactilite, envolvimento interfalangeano distal e proximal e inflamação no esqueleto axial e manifestações extra articulares (lesões ungueais, irite, úlceras orais) com os achados laboratoriais e radiográficos para chegar no diagnóstico.

Qual o tratamento da Artrite Psoriásica?

A artrite psoriásica sem tratamento pode evoluir para deformidades irreversíveis. A escolha do tratamento dependerá das estruturas acometidas em cada paciente. Deve-se avaliar a presença de acometimento articular axial (coluna vertebral) e periférico (articulações de braços e pernas), além da presença de dactilites, entesites e lesões nas unhas. O tratamento convencional é feito inicialmente pelo uso de anti-inflamatórios não-hormonais e drogas remissivas de doença (como o metotrexato, a sulfassalazina, a leflunomida e a ciclosporina). Nos casos em que não há melhora com ao tratamento convencional e nos casos moderados a graves, o uso dos agentes biológicos pode ser necessário. 



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