Entenda os sintomas iniciais e a origem dessa síndrome rara e veja como apoiar crianças que convivem com ela

    A síndrome de Dravet é uma doença rara que afeta algumas crianças no primeiro ano de vida, com crises convulsivas prolongadas e que se repetem com frequência.1

    É uma condição crônica incluída no grupo das encefalopatias epilépticas e do desenvolvimento, que começam geralmente no primeiro ano de vida e podem interferir em diferentes áreas do desenvolvimento infantil, como aprendizado, linguagem e movimento.2,3

    Reconhecer precocemente a síndrome é essencial para o orientar o cuidado e trazer mais qualidade de vida para as crianças.1,2 

     

    Por que a síndrome de Dravet acontece?

    A síndrome de Dravet costuma estar relacionada a alterações genéticas que interferem na atividade elétrica do cérebro e afetam a regulação dos impulsos nervosos.2 

     

    O que se sabe sobre a origem genética:4,5
    • Em mais de 80% dos casos, está ligada a uma alteração no gene SCN1A;

    • Na maior parte das crianças (mais de 90%), essas alterações genéticas surgem espontaneamente, sem ligação com histórico familiar; 

    • Apenas 5% a 10% dos casos têm origem hereditária.  

       

    Como é feito o diagnóstico

    A confirmação da síndrome de Dravet depende de um conjunto de manifestações clínicas avaliadas por um médico, que analisa alguns padrões. Entre elas:1,2,4-9

    • Idade de início das crises epilépticas;

    • Como e quando elas acontecem;

    • A duração e a frequência dos episódios;

    • Os tipos de crises.

    O teste genético pode ser usado para identificar mutações no SCN1A, mas a ausência delas não exclui o diagnóstico.4,5

     

    Como a síndrome de Dravet evolui ao longo do tempo

    A síndrome de Dravet apresenta diferentes fases que acompanham o crescimento da criança e persistem na vida adulta:6-9

    Até 12 meses

    • Crises febris prolongadas;

    • Maior necessidade de atendimento emergencial.

    Entre 1 e 5 anos

    • Aumento das crises motoras;

    • Estímulos externos podem desencadear episódios;

    • Redução do tônus e perda de coordenação.

    ~10 anos

    • Crises mais curtas, frequentemente durante o sono;

    • Dificuldades motoras mais evidentes;

    • Comprometimento cognitivo.

    Vida adulta

    • Crises persistem;

    • Podem surgir tremores;

    • Risco aumentado de perda de densidade óssea.

       

    Por que o tratamento é desafiador?

    A alteração genética que causa a síndrome de Dravet interfere em um mecanismo importante da atividade cerebral, o que pode dificultar o controle das crises.1,2,5,6

    Além disso, alguns medicamentos usados em outras epilepsias podem piorar as crises em Dravet, reduzindo as opções de tratamento.1,5,6

    O principal objetivo das terapias disponíveis é diminuir a frequência e a intensidade das crises, principalmente as mais prolongadas, para que a criança possa ter mais segurança e qualidade de vida ao longo do tempo.5,6,10

     

    Equipe multiprofissional

    A síndrome de Dravet apresenta uma constelação de manifestações clínicas – e a abordagem multidisciplinar otimiza o manejo do paciente com essa doença rara.2,4

    A equipe pode incluir:2,4,10

    • Fonoaudiólogo;

    • Fisioterapeuta e terapeuta ocupacional;

    • Psicólogo e psiquiatra;

    • Nutricionista e assistente social.

    Essa abordagem multiprofissional contribui para o desenvolvimento das crianças com síndrome de Dravet, apoia a autonomia possível e oferece suporte emocional durante toda a jornada.2,4

    Conviver com essa doença rara envolve lidar com crises que começam cedo e demandam acompanhamento constante.1,2,6

    Com informação clara e diagnóstico clínico adequado, é possível apoiar o desenvolvimento dos pacientes e trazer mais qualidade de vida para quem convive com essa condição.

     

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a orientação médica. Em caso de dúvidas ou sintomas, consulte sempre um profissional de saúde.

Referências:

1. MILLICHAP, J. et al. Child neurology: Dravet syndrome: when to suspect the diagnosis. Neurology, v. 73, n. 13, p. e59-e62, 2009. DOI: 10.1212/WNL.0b013e3181b9c880. 
2. FAN, H. C.; et. al. Clinical and genetic features of Dravet syndrome: a prime example of the role of precision medicine in genetic epilepsy. International Journal of Molecular Sciences, v. 25, n. 1, p. 31, 2023. DOI: 10.3390/ijms25010031.
3. DRAVET SYNDROME FOUNDATION. What is Dravet Syndrome? Dravet Syndrome Foundation, [s.d.]. Disponível em: https://dravetfoundation.org/what-is-dravet-syndrome/. Acesso em: 14 ago. 2025.
4. ANWAR, A. et al. Dravet syndrome: an overview. Cureus, v. 11, n. 6, e5006, 2019. DOI: 10.7759/cureus.5006.
5. HE, Z. et al. Dravet syndrome: advances in etiology, clinical presentation, and treatment. Epilepsy Research, v. 188, p. 107041, 2022. DOI: 10.1016/j.eplepsyres.2022.107041
6. Gataullina S, Dulac O. Seizure. 2017;44:58–64. 

BR-OT-2500153  - Maio 2026